TIP Projetos

Criatividade e gerenciamento de projetos são compatíveis?

Talvez alguns considerem muito ousado juntar em um mesmo texto as palavras: criatividade, método e gerenciamento de projetos. A nosso favor temos inúmeras pesquisas em neurociência que se contrapõem ao mito de que o caos e a criatividade são gêmeos univitelinos.

Criatividade e Método

O profissional de criação normalmente ama seu ofício e investe nele o tempo todo. Seja arquiteto, designer ou escritor sua produção tem muito a ver com o olhar, o perceber e o observar – isso faz com que não haja limites entre o profissional e o pessoal. A vida é invadida pelo criar o tempo todo.

A criatividade muitas vezes é considerada uma iluminação divina ao surgir repentinamente uma ideia  e você dizer “como não pensei nisso antes”. Porém este insight não é místico, mas sim resultado do envolvimento do indivíduo ou do grupo com o problema seguido de um estímulo consciente. Neste, processo o afastamento do problema aliado a menor quantidade de estímulos pode gerar as condições propícias para o insight acontecer.

Para Ana Pazmino, PhD em Design, “os métodos não são inimigos da criatividade, imaginação ou intuição. Pelo contrário, eles conduzem a soluções inovadoras, sendo que alguns métodos são técnicas específicas para auxiliar o pensamento criativo” [i].

“O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões …” [ii].

Normalmente vê-se o método como um instrumento para se “fazer ciência”, mas sua aplicação é bem mais ampla. A utilização de um método com etapas claras e questionamentos corretos ao longo do processo deve auxiliar as decisões de projeto. Um método tende a auxiliar o sujeito a ter maior controle sobre os processos do projeto, processos estes de gerenciamento ou criação do produto.

Segundo Jones, “a finalidade de qualquer método de projeto, ordenado ou confuso, consiste em conseguir que a mente se familiarize com as possibilidades desconhecidas e as limitações do ‘novo’ antes de tomar decisões irrevogáveis”[iii] .

Gerenciamento de projetos

O gerenciamento de projetos como é expresso em boas práticas e métodos, normalmente está associado a rigidez ao conduzir o processo de criação do produto criativo. Aqui gostaríamos de lembrar que existem duas abordagens básicas de gerenciamento de projeto: a preditiva e a adaptativa, isto é, o projeto segue ciclos de vida diferenciados.

O ciclo de vida preditivo é aquele que pode ser totalmente planejado, existe previsibilidade e pouca incerteza. Já o ciclo de vida adaptativo é aquele que pretende dar respostas a um número muito elevado de incertezas e de mudanças e lida com um envolvimento contínuo dos stakeholders.

Não convém generalizar conceitos; o ideal é buscar uma solução personalizada para o seu caso (nicho de mercado, empresa e projeto).

Reflexões finais

Criar é o foco, mas gerenciar projetos é questão de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. Não basta criar: é preciso viabilizar a entrega do produto, preferencialmente no prazo e no cronograma previstos.

Os resultados não surgem do dia para a noite. É necessário investimento, principalmente de tempo, para amadurecer uma atitude de gerenciamento de projetos como parte da cultura em uma empresa (indústria criativa ou não). A atitude é mais do que simplesmente conhecer boas práticas academicamente, é colocá-las como prioridade. Os princípios de gerenciamento de projetos devem correr no seu sangue junto com suas hemácias. Vale a pena!

Projetos gerenciados de modo profissional geram índices e resultados que permitem que você faça escolhas, tome decisões, não simplesmente por feeling, mas por ter informação.

O psicanalista americano Rollo May define a coragem criativa como “a descoberta de novas formas, novos símbolos, novos padrões segundo os quais uma nova sociedade pode ser construída” [iv]. Também em sua opinião, “ao apreciarmos o trabalho criativo, também estamos criando”.

A sociedade atual exige a participação de todos como seres criativos (que somos). Lembramos, também, que a criatividade é uma das habilidades necessárias para a era conceitual na opinião de Daniel Pink, mas isso já é assunto para outro post[v].

Sonia Lopes, autora do livro: Métodos ágeis para arquitetos e profissionais criativos. Rio de Janeiro: Brasport, 2015.      http://www.brasport.com.br/gerenciamento-de-projetos/metodologia/metodos-ageis-para-arquitetos-e-profissionais-criativos-como-planejar-e-monitorar-seu-projeto-aumentando-a-produtividade/


Notas:

[i] PAZMINO, Ana. Como se cria: 10 métodos para design de produtos. São Paulo: Blucher, 2015.

[ii] LAKATOS, Eva, MARCONI, Marina. Métodos Científicos in Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 1991. p. 40.

[iii] JONES, Chistopher. Métodos de diseño. 3.ed. Barcelona: Gustavo Gili, 1982. p. XXIII.

[iv] MAY, Rollo. A coragem de criar. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975. p.19

[v] Ver neste blog o texto “Evolução cultural e gerenciamento de projetos” _ https://tipprojetos.wordpress.com/2016/03/05/a-evolucao-cultural-e-gerenciamento-de-projetos/

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